
Brasília — O resultado das eleições de 2026 produziu uma das mudanças mais expressivas na representação política do Distrito Federal no Congresso Nacional. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do Partido Liberal (PL), foram eleitas senadoras pelo DF e ocuparão, a partir de 2027, as duas cadeiras que estavam em disputa neste pleito.
A eleição tem um significado que ultrapassa a disputa partidária. Pela primeira vez na história, o Distrito Federal terá três mulheres ocupando simultaneamente suas três cadeiras no Senado Federal. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis se juntarão à senadora Damares Alves, do Republicanos, que possui mandato até 2031.
O resultado também representa uma mudança completa nas duas vagas que estavam em disputa. Os atuais senadores Leila Barros, do PDT, e Izalci Lucas, que termina seu mandato em 2027, deixam as cadeiras que serão ocupadas pelas duas novas senadoras.
Michelle Bolsonaro terminou a disputa na primeira colocação entre os candidatos ao Senado no Distrito Federal.
Com a totalização dos votos, a ex-primeira-dama alcançou aproximadamente 938 mil votos, correspondentes a 29,05% dos votos válidos, segundo os dados divulgados após o encerramento da apuração.
O resultado coloca Michelle entre as maiores votações já registradas em uma eleição para o Senado no Distrito Federal. Ela também superou a marca anteriormente estabelecida por Cristovam Buarque em 2010.
A eleição representa ainda a entrada de Michelle Bolsonaro em um mandato eletivo conquistado diretamente nas urnas. Natural de Brasília, a ex-primeira-dama ganhou projeção nacional durante o governo Jair Bolsonaro e, nos últimos anos, ampliou sua atuação política, especialmente em pautas relacionadas à inclusão, voluntariado e pessoas com deficiência.
Na segunda colocação apareceu Bia Kicis, também do PL.
A deputada federal, que exerce mandato pela bancada do Distrito Federal desde 2019, obteve aproximadamente 886 mil votos, equivalentes a 27,44% dos votos válidos, garantindo a segunda cadeira destinada ao DF nesta eleição.
A chegada de Bia Kicis ao Senado encerra seu ciclo na Câmara dos Deputados, onde ganhou destaque principalmente pela atuação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Formada em Direito, Bia Kicis também possui trajetória no serviço público do Distrito Federal, tendo atuado como procuradora antes de ingressar na política eleitoral.
Um dos aspectos mais relevantes do resultado está justamente na configuração da disputa.
As duas vagas disponíveis foram conquistadas por mulheres do mesmo partido. Michelle e Bia ficaram à frente de Leila Barros (PDT) e Erika Kokay (PT), que também estavam entre os principais nomes da corrida pelo Senado.
Leila, que buscava a reeleição, terminou na terceira colocação, enquanto Erika Kokay ficou na quarta posição.
O resultado chama atenção porque as quatro primeiras posições da disputa foram ocupadas por mulheres — Michelle, Bia, Leila e Erika — mostrando a força da presença feminina na eleição para o Senado no Distrito Federal.
Do ponto de vista partidário, a eleição também altera significativamente a composição da bancada brasiliense.
Com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, o PL passa a ocupar duas das três cadeiras do Distrito Federal no Senado. A terceira permanecerá com Damares Alves, do Republicanos, até o término de seu mandato.
Na prática, o resultado cria uma bancada feminina e majoritariamente formada por integrantes de partidos associados à direita no cenário político nacional.
Esse novo desenho deverá ter impacto nas articulações políticas de Brasília e na relação do Distrito Federal com o Congresso Nacional a partir de 2027.
A votação para o Senado no DF também revela como a disputa local esteve conectada ao ambiente político nacional.
Michelle Bolsonaro chega ao Senado carregando uma forte identificação com o eleitorado ligado ao bolsonarismo, enquanto Bia Kicis já possui uma trajetória consolidada na política nacional e no campo parlamentar.
A combinação das duas trajetórias cria uma representação diferente daquela que o Distrito Federal vinha mantendo no Senado.
Mais do que a substituição de dois nomes, o resultado estabelece uma nova configuração política para a bancada brasiliense na Câmara Alta.
A partir de 2027, o Distrito Federal terá três senadoras: Damares Alves, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
O fato de as três cadeiras serem ocupadas por mulheres coloca Brasília em uma situação inédita no cenário nacional. Segundo o Senado, nenhuma outra unidade da Federação havia conseguido eleger duas mulheres para o Senado no mesmo pleito e, ao mesmo tempo, manter uma terceira mulher com mandato vigente.
O resultado também abre uma nova etapa para a política brasiliense.
Michelle terá seu primeiro mandato eletivo e passará a atuar diretamente nas decisões do Senado. Bia Kicis levará para a Casa Alta a experiência acumulada na Câmara dos Deputados. Damares, por sua vez, continuará representando o DF até 2031.
O eleitorado brasiliense, portanto, produziu uma mudança significativa na representação federal e colocou três mulheres no centro das decisões políticas do Distrito Federal no Senado.
Nos bastidores políticos, o resultado deverá ser acompanhado com atenção porque a nova composição do Senado poderá influenciar as articulações nacionais e também as relações políticas de Brasília com o Congresso.
A eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis consolida ainda uma característica marcante das urnas de 2026 no DF: o fortalecimento da representação feminina e a presença expressiva do PL na bancada brasiliense do Senado.
Agora, a expectativa se volta para os próximos passos das duas eleitas e para a forma como suas atuações no Senado irão se integrar à bancada formada também por Damares Alves.
Uma coisa, porém, já está definida: a partir de 2027, o Distrito Federal terá uma configuração inédita no Senado Federal — três mulheres representando a capital do país.